capítulo I

DE NOVO NAS 
BOCAS DO MUNDO

Nunca se saberá se foi o clima, se foi a terra. Se foi o talento das pessoas que por cá passaram e das suas apaixonantes histórias e personalidades. Ou se terá sido, pura e simplesmente, sorte. Aquela mesma sorte que fez com tudo isto se encontrasse, no mesmo lugar, na altura certa, como uma benção de planetas alinhados, de Sol e chuva e da curiosidade dos homens. Uma coisa é certa. Silenciosa e imponente, a velha montanha tem assistido do alto ao nascimento de grandes vinhos neste pedaço de terra do Dão que tem a seus pés. E se para ela um século e meio é quase nada, no tempo dos homens muita coisa aconteceu desde que a primeira vinha foi plantada e a primeira pedra da Casa foi colocada, algures pelas últimas décadas do século XIX. 150 anos que foram tudo menos monótonos. Atravessadas por tempos de guerra e paz, abundância e pobreza, partidas e chegadas, esplendor e esquecimento, as terras da Passarella viram história a ser escrita - por muitos e talentosos autores mas sempre com o seu sangue, o vinho. Talvez as lendas não existam e sejam afinal verdade. Talvez a história, de facto, se repita. Ou, pura e simplesmente, talvez a sorte continue do nosso lado. Seja como for, com a terra como página em branco, vamos continuar a escrever as nossas linhas, colheita após colheita.

Da mesma forma que o Dão é lendário, tanto pelas suas memórias como pela sua aparente naturalidade para produzir néctares que os homens não esquecem, a Casa da Passarella volta a colocar o seu nome nas bocas do Mundo – que, na nossa humilde opinião, é precisamente onde devem estar os grandes vinhos.

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